Veganismo e sustentabilidade: por que não comer animais?

Sumário

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(Fonte: Instituto Peabiru)

Os motivos e as motivações para se tornar vegetariano ou vegano escrevem um livro ( são diversos os impactos ambientais e sociais), mas para começo de conversa escolhi trazer uma parte (uma pequena parte, porque o buraco é fundo) da causa que me fez parar de comer carnes em 2015. 

Pelo planeta. 

Dados: Agropecuária e seus impactos

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(Foto: Gabriel Uchida)
  • 70% da soja produzida no mundo é destinado a pecuária.
  •  A maior parte do desmatamento é destinado ao manejo do gado.
  • O lixo e os resíduos da pecuária superam o da indústria, o lixo civil  e da construção juntas.
  • O gás metano emitido no meio ambiente pela pecuária chega a ser 40% superior do que pelos carros e fábricas juntos, e é mais prejudicial do que o dióxido de carbono.

Impactos Ambientais: Desmatamento e poluição

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(Fonte: ORG Igualdad Animal)

Se estamos buscando sustentabilidade e entendendo a urgência de cuidar da Terra, precisamos necessariamente nos perguntar a origem e as consequências do que está nos nossos pratos todos os dias. 

A maior causa de poluição, aquecimento global, efeito estufa, crise climática e destruição das florestas e outros ecossistemas é a indústria agropecuária, atual sistema de produção de alimentos básicos da nossa dieta.

A agricultura e a pecuária são responsáveis por 80% do desmatamento mundial.

Além do impacto negativo imenso no aquecimento global, a agropecuária é a atividade que mais utiliza e contamina as fontes de água disponível no planeta. 

O Sociedade Vegetariana Brasileira diz no seu relatório sobre “Impactos sobre o meio ambiente do uso de animais para a alimentação”, que:

1kg de carne produzido no Brasil representa 10 mil metros quadrados de floresta desmatada e 15 mil litros de água

1kg de carne produzido no Brasil representa 10 mil metros quadrados de floresta desmatada e 15 mil litros de água, além dos impactos causados pelo consumo de energia elétrica e de combustíveis fósseis, emissão de metano na atmosfera, despejo no meio ambiente de antibióticos e hormônios, entre outros.

A agropecuária é também a ação humana que mais gera lixo no mundo. 

23 bilhões de galinhas na Terra

A enorme quantidade de excremento (afinal, temos 23 bilhões de galinhas na Terra) desses animais criados para virar comida para os humanos contaminam as águas na superfície, os lençóis freáticos, corroem os solos e poluem o ar. 

E falando em água, a situação nos mares não é diferente. Os ecossistemas marinhos também estão sendo destruídos.  

Sό resta 10% da vida marinha que um dia existiu

A pesca industrial esvaziou quase completamente os oceanos: 70% dos pescados no mundo servem para virar ração. A estimativa dos biólogos é que hoje sό resta 10% da vida marinha que um dia existiu.

O Relatório Planeta Vivo advertiu em 2018 a respeito do catastrófico declínio em recifes de corais, mangues e ervas marinhas que dão suporte a tantas espécies de peixes que são vitais também para as comunidades tradicionais litorâneas.  

Os viveiros industriais são outra catástrofe ambiental que deixo para falar outro dia…  

Portanto, diversos ecossistemas vêm sendo transformados pelo agronegócio em enormes áreas desmatadas para a criação/exploração de animais não-humanos e cultivo dos cereais usados na alimentação desses seres que irão acabar nos nossos pratos.

Comer animais não-humanos tornou-se um grande negócio sustentado por um sistema político e econômico que visa o lucro. 

A série “Você sabe de onde vem sua comida?” do GreenPeace elucida didaticamente que mais lucro significa mais carbono na atmosfera, mais incêndios, mais enchentes e menos biodiversidade, menos futuro. 

Os Impactos Sociais e a Amazônia

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(Foto: Ramon Aquim)

No Brasil, a monocultura de soja em áreas desmatadas e terras indígenas invadidas para alimentar o gado do mundo é a principal causa da violência e do desmatamento da floresta amazônica, a maior floresta tropical do planeta.

 Essa região é habitada há pelo menos dois mil anos por cerca de 180 povos indígenas de diferentes etnias, somando uma população de aproximadamente 208 mil indivíduos, além de 357 comunidades remanescentes de quilombolas e milhares de comunidades de ribeirinhos, babaçueiros e outros povos tradicionais. 

Quando comemos carne, então, não é só com a destruição da floresta que estamos contribuindo, mas também da condição de existência física, cultural e espiritual de uma enorme diversidade de povos, etnias, línguas, saberes e cosmovisões. Nas palavras do indígena Gersem, da etnia Baniwa:

” É uma simbiose existencial profunda.

Quando falamos que a Floresta Amazônica é nossa fonte de vida, essa NOSSA é no plural maiúsculo, pois, não é apenas para os que nela vivem, mas para toda a Humanidade e o Cosmo, uma vez que, em nossas cosmovisões ancestrais, o mundo cósmico é único, vivido e experimentado por diversas expressões, formas e modos de vida e existências.

Para nós, a Natureza, as florestas, os rios e o ar formam um bem comum planetário, de humanos e não humanos. São bens comuns que não podem ser transformados ou tratados como mercadorias ou como propriedades particulares. 

A Natureza e a Amazônia não podem ser concebidas como uma “terra prometida”, um objeto valioso de consumo ou uma utopia ou mesmo uma fantasia do futuro, pois a Amazônia é um bioma real e presente, embora toda sua riqueza e exuberância sejam finitas e frágeis.”  

Gersem

Conclusão: Por que não comer carne de animais não humanos?

Bem, lá em 2015, quando compreendi a complexidade que envolve nossa comida, eu não tinha consciência do engajamento político do movimento vegano na defesa dos direitos humanos, também.

 Em poucas palavras, conforme vem defendendo a União Vegana de Ativismo (UVA), o veganismo não é apenas uma escolha pessoal por um estilo de vida.

Quando defendido dessa forma, torna-se inútil – simples assim. A luta pelo fim da exploração animal é uma luta anticapitalista que deve se articular a outras lutas sociais. 

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Plante ou compre de pequenos agricultores, procure por centros de agricultura familiar na sua cidade!

Até a próxima 🙂 

Alguns materiais para se aprofundar

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1 comentário em “Veganismo e sustentabilidade: por que não comer animais?”

  1. Christina Araujo Faria

    Que texto maravilhoso esse sobre veganismo! Parabéns e obrigada por abordar um tema que cada dia mais está se tornando uma necessidade. Produtos de higiene e estética naturais são o futuro. A crueldade em testes com animais e as consequências que algumas químicas nocivas podem trazer ao nosso organismo, são alguns exemplos das consequências de algunss produtos na linha de cosméticos não naturais. 💚

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